“The waiting is the hardest part”: Mercados globais seguem focados nos desdobramentos do Oriente Médio, em semana de Payroll e Ata do Copom
04 a 08 de maio de 2026
Por César Garritano, Economista-chefe da SOMMA Investimentos
Destaques da Semana
- A semana foi, em geral, positiva para ativos de risco globais;
- Apesar de as negociações para um fim do conflito no Oriente Médio terem evoluído muito pouco no período, a ausência de novas escaladas atuou como determinante central da melhora relativa dos mercados;
- No Brasil, a ata sem surpresas confirmou a cautela do Copom diante da crise;
- No momento de divulgação desse relatório, o Ibovespa acumulava perdas de 1,7%, ao passo que o real apreciava 1,2%;
- A curva de juros, por sua vez, apresentou fechamento de 20 pontos-base nos vencimentos mais curtos.
Cenário Internacional
Na cena global, os investidores seguiram monitorando as novidades e as movimentações em torno do Estreito de Ormuz. Na agenda macroeconômica, o período contemplou a divulgação de uma coletânea de indicadores do mercado de trabalho, destacando-se o Nonfarm Payroll de abril, conhecido nesta sexta-feira.
No que diz respeito ao ambiente geopolítico, os últimos dias foram de um sentimento geral algo melhor que o da semana anterior. Em grande parte, a recomposição da confiança dos agentes pode ser atribuída à percepção de que a Casa Branca tem evitado aprofundar o conflito no Oriente Médio. Na avaliação do mercado e de analistas políticos, pesa contra os EUA a expressiva deterioração da popularidade do presidente Donald Trump desde o início da guerra – movimento que, caso não seja interrompido, pode comprometer as chances republicanas de conquistar ao menos uma das casas do Congresso nas eleições de meio de mandato deste ano.
Apesar da melhora relativa do humor no que tange às tensões no Golfo Pérsico, em termos práticos as negociações entre Irã e Estados Unidos pouco evoluíram no período. Persistiu uma trajetória errática de diálogo, marcada pelo contínuo revezamento entre manchetes otimistas e desencorajadoras – muitas das quais, depois de terem movimentado preços no mercado financeiro, vieram a ser desmentidas.
Entre as notícias favoráveis que sobreviveram à semana, ressaltamos a informação de que o Irã avalia uma nova proposta de Washington que, se aceita, poderia abrir caminho para a reabertura gradual do Estreito de Ormuz. Por outro lado, a adoção, pelos iranianos, de um conjunto formal de regras de circulação marítima foi interpretada como outro empecilho ao estabelecimento de um acordo.
Enquanto o cenário geopolítico permaneceu como o principal vetor dos preços dos ativos globais, o destaque da agenda de indicadores na semana foi a divulgação do Nonfarm Payroll de abril. Em termos de headline, o mercado de trabalho americano registrou a criação de 115 mil vagas líquidas no período, acima das expectativas, que apontavam para 55 mil. Além da surpresa positiva no dado cheio, a composição da leitura também se mostrou mais construtiva, refletindo contribuições disseminadas entre diferentes setores da economia — em contraste com o padrão observado nos primeiros quatro meses de 2025. Por fim, a estabilidade da taxa de desemprego também foi interpretada como um elemento benigno da divulgação.
Por outro lado, as sucessivas desacelerações na métrica mensal do rendimento médio por hora trabalhada, somadas à manutenção de um ritmo de geração de vagas ainda significativamente inferior ao observado no período pré-pandemia, seguem reforçando os argumentos em favor de novos cortes de juros pelo Fed. Nesse contexto, caso o ambiente geopolítico apresente uma evolução mais favorável ao longo do ano, seguimos avaliando como plausível uma redução de 25 bps na taxa de juros norte-americana em dezembro de 2026.
Cenário Doméstico
No Brasil, os mercados acompanharam de perto a divulgação da Ata do Copom e da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do mês de março.
A Ata do Copom revelou um colegiado desconfortável com a deterioração do cenário inflacionário. O tom predominante foi de cautela, em decorrência do impacto deletério dos conflitos no Oriente Médio. Esse agravamento refletiu-se em uma desancoragem das expectativas de inflação, especialmente para horizontes mais longos como o ano de 2028, o que, na visão do Copom, resultará numa restrição monetária maior e por mais tempo do que o anteriormente previsto.
Apesar disso, na nossa avaliação, a Ata trouxe um tom similar ao do Comunicado da semana passada. Em outros termos, o mais razoável é que o Copom quis sinalizar que as barras para interromper ou para acelerar o corte da taxa Selic são bastante elevadas. Dado isso, faz sentido o aumento das apostas, por parte de economistas e da precificação dos ativos, um rebaixamento a “conta gotas” da taxa Selic durante os próximos meses, com o colegiado no aguardo de novas informações da guerra e do como esse evento influenciará adicionalmente a conjuntura doméstica.
Na nova divulgação da PIM, referente a março, a produção industrial brasileira avançou 0,1% m/m, ligeiramente acima da mediana das expectativas (-0,1%). Apesar da modesta surpresa positiva e da consolidação de uma terceira leitura de alta, o indicador cheio mostrou desaceleração expressiva na margem, acompanhada de perda de força nas Indústrias Extrativas e retração nas Indústrias de Transformação. Entre as categorias de uso – Bens de Capital, Bens Intermediários e Bens de Consumo – o arrefecimento também foi disseminado.
Diante dos dados, avaliamos que a tração adquirida pelo indicador nos primeiros meses do ano se diluiu, sugerindo um movimento de natureza transitória. Nesse contexto, carregamos o entendimento de que a elevação dos custos logísticos, provocada pela guerra no Oriente Médio, e o juros real mantido em patamar contracionista devem seguir punindo a Indústria em 2026.
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