Como os brasileiros investem: o que revela a pesquisa da ANBIMA

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Como os brasileiros investem: o que revela a pesquisa da ANBIMA

O comportamento do investidor brasileiro mudou pouco de 2024 para 2025 — mas mudou muito na janela de cinco anos. Segundo a 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, pesquisa da ANBIMA em parceria com o Datafolha divulgada em abril de 2026, 36% da população já possui algum investimento financeiro, contra 31% em 2021. É o retrato de uma cultura de investimento que avança em pequenos passos e, agora, atinge um patamar de estabilidade.

O que é o Raio X do Investidor Brasileiro

O Raio X do Investidor Brasileiro é a pesquisa anual da ANBIMA, realizada com o Datafolha, que mapeia há nove anos os hábitos financeiros da população — do ato de poupar às escolhas de investimento. A 9ª edição ouviu 5.832 pessoas com 16 anos ou mais, em campo entre 4 e 21 de novembro de 2025, com margem de erro de 1 ponto percentual. Mais do que uma fotografia do ano, a edição compara a evolução de 2021 a 2025, o que permite separar tendência de ruído.

Cinco anos de avanço gradual — e um platô em 2025

No pós-pandemia, conforme renda e consumo se reorganizaram, o hábito de guardar e aplicar dinheiro se intensificou. A parcela que conseguiu economizar ao longo do ano subiu de 27% para 33%; a que realizou algum investimento foi de 18% para 24% (recorde); e a população considerada investidora avançou de 31% para 36%, com leve recuo ante os 37% de 2024.

A poupança perde espaço e a carteira se diversifica

A caderneta de poupança segue como o investimento mais usado pela população em geral (22%), mas sua hegemonia se desgasta. Entre quem já investe, a poupança caiu de 75% para 61% das carteiras em cinco anos — sinal claro de sofisticação. O espaço cedido foi ocupado, sobretudo, pela renda fixa privada.

Produtos financeiros que os investidores brasileiros utilizam de 2021 a 2025: a poupança cai de 75% para 61% e os títulos privados sobem de 8% para 20%, segundo o Raio X do Investidor 2026 da ANBIMA
Produtos financeiros que os investidores utilizam (2021–2025). Fonte: ANBIMA, Raio X do Investidor Brasileiro — 9ª edição.

Na população geral, os títulos privados cresceram pelo quarto ano consecutivo, de 2% para 7% de adesão, puxados pela classe AB. Fundos chegam a 5%, moedas digitais a 4% e ações recuaram para 2%. Para 2026, a intenção ainda privilegia o tradicional: poupança (20%) e imóveis (13%) lideram as preferências, seguidos de títulos privados, fundos e criptomoedas.

Quem investe: segurança, retorno e canais digitais

Entre os investidores, segurança (44%) e retorno (33%) são as principais vantagens percebidas — e quase um terço não enxerga desvantagem alguma em investir. A digitalização é o pano de fundo: aplicar por meios online subiu de 49% para 63% em cinco anos, enquanto ir ao banco caiu de 43% para 32%. Para se informar, falar com gerente ou assessor (26%) ainda lidera, à frente de amigos (18%) e sites de bancos (11%); entre investidores, o YouTube é o canal mais citado pela quinta edição seguida, e assistentes de IA já aparecem com 9%, superando Facebook, e-mail e TikTok.

A fronteira da inclusão: renda, não conhecimento

Se a cultura avançou, o gargalo está claro. Cerca de 64% dos brasileiros não investem em produtos financeiros e 55% não guardam dinheiro de nenhuma forma. Entre quem não poupa, 82% apontam condições financeiras desfavoráveis como razão — ante 75% em 2021. Há ainda uma lacuna de gênero: 31% das mulheres são investidoras, contra 41% dos homens.

A reserva de emergência ilustra a fragilidade: 69% dizem ter algum dinheiro guardado, mas 43% o consumiriam em até seis meses, e quase um terço não tem nada reservado — fatia que cai para 11% entre investidores. Como sintetizou Marcelo Billi, superintendente da ANBIMA:

"Embora as pessoas estejam mais atentas às possibilidades de investimento e busquem retorno e segurança, persistem barreiras importantes para transformar o dinheiro poupado em investimentos. Informação de qualidade, educação financeira e confiança seguem sendo decisivas." Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da ANBIMA

O que esperar de 2026

As intenções declaradas apontam movimento nas duas direções: 8% da população (14,5 milhões) investem hoje mas pretendem parar, enquanto 14% (23,2 milhões) planejam começar. O saldo projetado é de mais 8,7 milhões de novos investidores. O Brasil tem hoje 60,6 milhões de investidores ativos e 107,7 milhões fora do mercado — um potencial de expansão que dependerá tanto do ambiente macroeconômico quanto da qualidade da orientação que essas pessoas receberem.

Há também um sinal de fôlego nas intenções para o ano: a parcela que não pretende fazer nenhum investimento em 2026 caiu para 45%, bem abaixo dos 59% que hoje não utilizam nenhum produto financeiro. Ou seja, mais pessoas declaram a disposição de investir do que efetivamente investem — e o desafio de 2026 será converter essa intenção em ação concreta.


Perguntas frequentes

Quantos brasileiros investiram em 2025?

Segundo a 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro (ANBIMA/Datafolha), 36% da população com 16 anos ou mais possui algum investimento financeiro — cerca de 60,6 milhões de pessoas. O índice subiu cinco pontos percentuais desde 2021, quando era de 31%.

Qual é o investimento mais usado pelos brasileiros?

A caderneta de poupança segue na liderança, presente na carteira de 22% da população geral. Entre quem já investe, porém, a poupança perdeu espaço: caiu de 75% para 61% das carteiras em cinco anos, cedendo lugar a títulos privados (que subiram de 8% para 20%) e fundos de investimento (de 9% para 14%).

Quantos novos investidores são esperados para 2026?

A pesquisa projeta um saldo líquido de cerca de 8,7 milhões de novos investidores em 2026. Isso considera que 23,2 milhões de pessoas pretendem começar a investir, enquanto 14,5 milhões que investem hoje indicam intenção de parar.

Por que a maioria dos brasileiros ainda não investe?

O principal entrave é financeiro, não técnico. Cerca de 64% da população não investe e 55% não guarda dinheiro de nenhuma forma. Entre quem não poupa, 82% citam condições financeiras desfavoráveis — proporção que cresceu frente aos 75% de 2021.

Fonte: ANBIMA, Raio X do Investidor Brasileiro — 9ª edição (pesquisa Datafolha, campo de 4 a 21 de novembro de 2025; 5.832 entrevistas; margem de erro de 1 p.p.; divulgação em 23 de abril de 2026). Relatório completo: anbi.ma/raiox9.

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