O que é uma holding familiar e quais são suas principais vantagens
Uma holding familiar é uma empresa criada para concentrar e administrar bens da família (como imóveis e participações em empresas), definindo regras de governança e facilitando a organização do patrimônio. Ela pode ajudar a reduzir conflitos na sucessão, dar mais previsibilidade na gestão e, em alguns casos, permitir eficiência tributária, desde que a estrutura seja bem planejada e alinhada à legislação vigente.
Em 2025, o Brasil contava com aproximadamente 165 mil holdings, segundo dados do Mapa de Empresas do Governo Federal. Esse número reforça a relevância dessa estrutura como instrumento de organização, proteção e planejamento de patrimônio e negócios.
O que é uma holding familiar
Holding é uma sociedade cujo objetivo principal é deter e administrar participações societárias e/ou bens. Quando estruturada para centralizar ativos de um grupo familiar, costuma ser chamada de holding familiar. Na prática, ela funciona como um “centro de controle” do patrimônio, substituindo a pulverização de ativos em pessoas físicas por uma administração unificada e com regras claras.
Como funciona na prática
De forma simplificada, a família integraliza bens na empresa (por exemplo, imóveis e quotas/ações de outras sociedades) e passa a administrar esses ativos por meio da holding. Em seguida, são definidos papéis e regras de governança: quem administra, como são distribuídos resultados, quais limites para venda de ativos, quais condições para entrada/saída de familiares, e como lidar com eventos como falecimento, incapacidade ou divórcio.
Quando vale a pena considerar uma holding
A holding familiar deixou de ser exclusiva de grandes fortunas. Hoje, famílias com patrimônio a partir de aproximadamente R$ 2 milhões já podem avaliar a constituição, desde que a estrutura faça sentido financeiro, tributário, sucessório e de governança. O ponto central não é “ter uma holding”, mas sim resolver um problema real: organizar ativos, reduzir atritos, profissionalizar a gestão e aumentar a previsibilidade do longo prazo.
Principais vantagens no planejamento patrimonial
– Centralização e clareza: ativos passam a ser visualizados e administrados em um único lugar, com regras padronizadas.
– Governança e profissionalização: separa propriedade e gestão, aumentando transparência e continuidade.
– Regras personalizadas: permite definir critérios de administração, distribuição de resultados e tomada de decisão.
– Continuidade: reduz o risco de desorganização do patrimônio em transições geracionais.
– Eficiência tributária (quando aplicável): pode otimizar a tributação sobre receitas de locação e melhorar condições fiscais na alienação de imóveis, desde que estruturada adequadamente e com análise técnica.
Holding familiar e planejamento sucessório
No planejamento sucessório, a holding ajuda a antecipar definições e reduzir incertezas. Em especial, pode contribuir para:
– Organizar a sucessão com regras objetivas.
– Definir responsabilidades e critérios entre herdeiros.
– Evitar disputas recorrentes sobre administração e distribuição de resultados.
– Preservar o legado familiar, com foco em continuidade e previsibilidade.
Pontos de atenção e cuidados
Uma holding não é “remédio universal” e exige desenho técnico. Os principais cuidados costumam envolver:
– Viabilidade econômico-financeira: custos de constituição, contabilidade, obrigações acessórias e manutenção.
– Tributação: regime adequado à realidade dos ativos (por exemplo, locação e ganho de capital), com avaliação caso a caso.
– Governança: regras bem escritas, alinhadas à dinâmica familiar e à realidade do patrimônio.
– Regularidade dos bens: imóveis e participações precisam estar com documentação e registros em ordem para evitar entraves.
– Objetivo real: a estrutura deve responder a um problema concreto (sucessão, gestão, organização, proteção e continuidade).
Passo a passo de alto nível para estruturar
1) Diagnóstico do patrimônio e dos objetivos (sucessão, gestão, renda, proteção).
2) Inventário de ativos e avaliação de riscos (tributários, societários e familiares).
3) Modelagem da estrutura (tipo societário, administração, regras e políticas).
4) Simulações de cenários (custos, tributação, receitas e eventos de sucessão).
5) Implementação e integralização de bens.
6) Rotina de governança e revisão periódica do desenho.
Perguntas frequentes (FAQ)
Holding familiar substitui inventário?
Ela pode reduzir atritos e simplificar a organização da sucessão, mas o efeito depende do desenho jurídico e do modo como a sucessão foi planejada. É essencial avaliar o caso concreto.
Holding sempre reduz impostos?
Não. Em alguns contextos, pode haver eficiência tributária, mas isso depende do tipo de ativo, do regime adotado e da forma de operação. Estruturas mal desenhadas podem aumentar custo e risco.
Qual patrimônio mínimo para considerar?
Não existe um número obrigatório. Como referência prática, famílias a partir de aproximadamente R$ 2 milhões já podem avaliar a estrutura, desde que haja um motivo claro e viabilidade financeira.
Holding serve só para imóveis?
Não. Ela pode concentrar imóveis, participações societárias, e outros ativos compatíveis com o objetivo de centralização e governança.
Cada patrimônio exige uma análise individualizada, a estrutura ideal depende dos objetivos, do perfil familiar, do tipo de ativos e da visão de futuro. A indicação da abertura de uma holding deve ser baseada em simulações de viabilidade financeira, aliadas às características da estrutura familiar, considerando aspectos tributários, financeiros e organizacionais.
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