Análise Econômica da Semana | Apesar do noticiário inconsistente, mercado aposta em cenário de melhora da guerra
30 de março a 02 de abril de 2026
Por César Garritano, Economista-chefe da SOMMA Investimentos
Destaques da Semana
- Diante do cenário externo ainda permeado por incertezas, sinalizações de um abrandamento das hostilidades entre Estados Unidos e Irã contribuíram para a recuperação dos mercados de risco;
- Em particular, a performance benigna dos ativos domésticos seguiu se destacando entre outras praças globais;
- No momento de divulgação deste relatório, o Real apreciava cerca de 1,5%, ao passo que o Ibovespa apresentava alta de 2,5%. Por sua vez, a curva de juros nominal fechava em torno de 30 pontos-base nos vencimentos mais longos;
- Em partes, a ausência de surpresas macroeconômicas na agenda de indicadores brasileira contribuiu para apoiar os ganhos dos mercados locais.
Cenário Internacional
No cenário global, a semana foi marcada pelo fortalecimento de uma percepção relativamente menos pessimista quanto à evolução do conflito no Oriente Médio. Apesar da volatilidade inerente a um ambiente ainda permeado por riscos geopolíticos, ao final do período, o desempenho dos mercados globais foi positivo: bolsas de diferentes geografias registraram ganhos superiores a 2,0%, enquanto a maioria das moedas globais — com destaque para as da América Latina — apresentou valorização frente ao dólar.
Em grande medida, a melhora do humor dos mercados em relação ao conflito no Golfo Pérsico pode ser atribuída aos acenos emitidos por ambas as partes no sentido de uma possível solução provisória. Do lado norte-americano, repercutiram positivamente declarações de Trump em suas redes sociais, nas quais mencionou a possibilidade de os Estados Unidos se retirarem do conflito antes de uma eventual abertura do Estreito de Ormuz. Já por parte do Irã, o presidente do país indicou disposição para encerrar as hostilidades, desde que determinadas garantias fossem atendidas. Serviram como sustentação adicional declarações do Paquistão, Turquia e China de que um acordo pelo fim do conflito estaria sendo costurado com a sua ajuda desses países.
Se houve um episódio dessa trama geopolítica que, ao menos temporariamente, testou o otimismo do mercado foi o discurso de Trump à Nação na noite de quarta-feira (01/abr). Em particular, causou desconforto que o presidente norte-americano tenha voltado a adotar uma postura mais combativa diante dos iranianos – algo reforçado pela intenção de atingir o país “com extrema força nas próximas duas ou três semanas”. Diante da frustração gerada entre os investidores, em um primeiro momento, as falas foram sucedidas por forte correção nos mercados globais.
Contudo, seja porque o discurso de Trump não se propôs a descartar abertamente a possibilidade de encerramento do conflito ou porque, poucas horas depois, Irã e Omã anunciaram que rascunham um acordo para reestabelecer o fluxo no Estreito de Ormuz, o desapontamento entre os investidores foi gradualmente diluído. Nesse contexto, se preservou uma postura cautelosamente otimista quanto ao ambiente externo.
Cenário Doméstico
No cenário doméstico, os indicadores econômicos divulgados na semana terminaram assumindo uma posição secundária entre os focos dos investidores.
Destaque para a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) referente ao mês de fevereiro, que apresentou avanço da produção industrial de 0,9% na margem. Apesar da surpresa sutilmente altista com relação às expectativas (+0,7%) e do crescimento disseminado entre os componentes, todas as três principais categorias – Bens de Capital, Bens intermediários e Bens de Consumo – desaceleraram nas métricas mensal e anual.
Ao passo que a Industria Extrativa acumulou alta de 7,4% nos últimos 12 meses, a Indústria de Transformação – verdadeiramente correlacionada com o ciclo – caiu 0,9%. Avaliamos a perda de força dessa segunda métrica como um sintoma de que a atividade segue desacelerando, ao contrário do que os ruídos gerados pelo ajuste sazonal nesse começo de ano poderiam sugerir.
Adiante, a manutenção da política monetária em patamar contracionista por tempo prolongado e a propagação do choque do petróleo tendem a contribuir para perda de dinamismo adicional da indústria brasileira. Nesse sentido, entendemos que a evolução do ambiente externo acrescenta um importante risco baixista para os indicadores de atividade industrial.
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