Em 16 de setembro de 2026, o Copom reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual desde março, quando a taxa estava em 15%.
Um ciclo de baixa de juros é o período em que o Banco Central reduz a taxa básica de forma sucessiva. Nesse ambiente, o rendimento dos pós-fixados recua a cada decisão, enquanto títulos que contratam uma taxa na compra passam a valer mais no mercado.
O ciclo de cortes em 2026
A Selic permaneceu em 15% ao longo do segundo semestre de 2025. Os cortes começaram em março de 2026, no ritmo de 0,25 ponto percentual por reunião e com votação unânime, até os 13,75% de setembro.
No comunicado de setembro, o Copom citou como fontes de incerteza os conflitos no Oriente Médio, a política monetária de economias avançadas e a volatilidade de preços de ativos e commodities. O Boletim Focus de 21 de setembro indica Selic de 13,50% no fim de 2026 e de 12% no fim de 2027.
O IPCA acumulado em 12 meses foi de 4,22% em agosto, segundo o IBGE. Descontada essa inflação, a Selic de 13,75% corresponde a um juro real de cerca de 9,1% ao ano.
Como cada investimento reage à queda dos juros
- Pós-fixados (CDI, Tesouro Selic): o rendimento recua a cada corte.
- Prefixados e IPCA+ (NTN-B): valorização por marcação a mercado, proporcional ao prazo do título.
- Isentos (LCI, LCA, incentivadas): as taxas pós-fixadas acompanham o CDI.
- Crédito privado: o indexador acompanha a queda, e o risco do emissor segue como fator central.
- Ações: a taxa de desconto dos lucros futuros diminui.
- Fundos imobiliários: o efeito varia entre fundos de papel e de tijolo.
Pós-fixados
O CDI acompanha a Selic de perto, alguns centésimos abaixo. A uma taxa de 13,75% ao ano, R$ 1 milhão aplicado a uma taxa próxima de 100% do CDI gera cerca de R$ 136 mil brutos em um ano. Com juros de 12% ao ano, o rendimento anualizado seria de aproximadamente R$ 120 mil.
Prefixados
Um título prefixado paga uma taxa definida no momento da compra. Quando os juros de mercado caem depois disso, o preço do título sobe. Esse efeito é a marcação a mercado, e sua intensidade depende da duration, medida de sensibilidade do preço à variação dos juros.
Um prefixado com duration de três anos se valoriza aproximadamente 3% para cada ponto percentual de queda na taxa de mercado. O efeito ocorre no sentido inverso quando os juros sobem. Mantido até o vencimento, o título paga a taxa contratada. Em 11 de setembro de 2026, o Tesouro Prefixado 2029 era negociado a 13,77% ao ano, e o 2032, a 14,08%, segundo o Seu Dinheiro.
Tesouro IPCA+
Os títulos atrelados à inflação pagam o IPCA mais uma taxa real fixa e também se valorizam pela marcação a mercado quando os juros caem. Em 11 de setembro de 2026, o Tesouro IPCA+ 2032 pagava 7,57% ao ano acima da inflação, e os vencimentos 2040 e 2050, 7,22%.
Isentos de IR
Em 2026, LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas seguem isentos de IR para pessoa física, depois que a Medida Provisória 1.303, de 2025, perdeu a validade. Para comparar um título isento com um tributado, divide-se a taxa isenta por (1 menos a alíquota de IR do prazo). A tabela mostra quanto um CDB precisa pagar para empatar com uma LCI de 90% do CDI:
| Prazo (alíquota de IR) | CDB equivalente |
|---|---|
| Até 180 dias (22,5%) | 116,1% do CDI |
| 181 a 360 dias (20%) | 112,5% do CDI |
| 361 a 720 dias (17,5%) | 109,1% do CDI |
| Acima de 720 dias (15%) | 105,9% do CDI |
Ações e fundos imobiliários
Na avaliação de empresas, o valor de uma ação corresponde ao valor presente dos lucros futuros, calculado com uma taxa de desconto que tem os juros como referência. Juros menores reduzem essa taxa, mas o preço das ações também depende de lucros, cenário externo e situação fiscal.
Nos fundos imobiliários, os fundos de papel investem em CRIs indexados a CDI ou IPCA, e seus rendimentos acompanham esses indexadores. Os fundos de tijolo têm receita de aluguel, que não está diretamente atrelada à Selic. Os rendimentos distribuídos por FIIs seguem isentos de IR para pessoa física em 2026.
O papel da curva de juros
As taxas dos títulos prefixados e do Tesouro IPCA+ refletem a trajetória de Selic esperada pelo mercado para os próximos anos. Por isso, o preço desses títulos se move com as expectativas, antes de cada decisão do Copom, e a valorização depende de os juros caírem mais do que o já embutido nas taxas.
Ciclos de corte também podem ser interrompidos. Entre agosto de 2023 e maio de 2024, a Selic caiu de 13,75% para 10,50%. A partir de setembro de 2024, o Banco Central voltou a elevar os juros, até 15% em junho de 2025. Para os próximos meses, as projeções de mercado indicam continuidade do ciclo em ritmo gradual.
Perguntas frequentes sobre a queda da Selic
O que acontece com o CDI quando a Selic cai?
O CDI acompanha a Selic de perto, alguns centésimos abaixo. A cada corte do Copom, a taxa de rendimento de aplicações pós-fixadas, como Tesouro Selic e CDBs atrelados ao CDI, é reduzida. O valor já aplicado não sofre perda: o que muda é a remuneração a partir de cada decisão.
Qual a diferença entre prefixado e IPCA+ em um ciclo de baixa de juros?
O prefixado paga uma taxa nominal fixa definida na compra. O IPCA+ paga a variação da inflação mais uma taxa real fixa. Os dois se valorizam pela marcação a mercado quando os juros caem, com intensidade proporcional ao prazo do título, e entregam a taxa contratada se mantidos até o vencimento.
LCI e LCA continuam isentas de Imposto de Renda?
Sim. Em 2026, LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas seguem isentas de IR para pessoa física. A Medida Provisória 1.303, de 2025, que propunha tributar esses títulos, perdeu a validade sem ser votada. A comparação com aplicações tributadas é feita pela taxa equivalente, considerando a alíquota de IR do prazo.
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